sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Fora da ordem

Não sou fã incondicional de Muricy Ramalho.

Suas deficiências como técnico são irritantes: falta de variações de jogo, incapacidade em alterar o rumo da partida depois de iniciada, total desprezo pelo lado psicológico.

Mas admiro suas qualidades: honestidade, sinceridade, caráter (coisas pouco valorizadas no Brasil).

Por esse último ponto, e devido ao fato de ele ter conquistado três Campeonatos Brasileiros com o meu time, tenho gratidão para com ele, e não é o fato de ele ter pulado o muro - literalmente - que vai mudar isso.

Só que não acho que Muricy repetirá o sucesso no Palmeiras. A mudança foi muito drástica, e talvez exigisse mais tempo. A ligação do técnico com o São Paulo sempre foi muito forte, e para mim é claro que ele não se sente à vontade no novo clube. Somados a desconfiança intrínseca e as cascas de amendoim do Palestra, temos um ambiente nada tranquilo para alguém desenvolver um trabalho.

Acho que qualquer um estranha vê-lo com o uniforme verde.

Até o próprio Muricy.

Crime?!?!

Já é de conhecimento popular, mesmo para os leigos em Direito, que o artigo 171 do Código Penal refere-se ao crime de estelionato.

Eis sua transcrição literal:

"Estelionato

Art. 171 - Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento.


Pena - reclusão, de um a cinco anos, e mult
a.
"

Mais à frente no referido Código, temos:

"Quadrilha ou bando

Art. 288 - Associarem-se mais de três pessoas, em quadrilha ou bando, para o fim de cometer crimes:

Pena - reclusão, de um a três anos."

O processo penal é extremamente complexo, e dificilmente alguém não inserido no mundo jurídico conseguirá formar uma opinião correta sobre qualquer decisão dos homens de toga.

É bem possível que o MP não tenha instruído o processo de forma clara.

Mas também é bem difícil, diante da clareza dos dispositivos legais acima transcritos, aceitar que Edílson e sua gangue não fizeram naada demais.

Para mim, no mínimo, faltou boa vontade.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Na hora H...

Antes de começar a escrever, quero deixar claro: eu admiro todos os esportistas brasileiros que, mesmo com todas as dificuldades enfrentadas no essporte nacional, atingem um nível de competitividade internacional que os permite participar de um Campeonato Mundial.

A simples participação em um evento desses já encerra fatores como talento, disciplina, esforço, determinação.

Eu reconheço e valorizo isso.

Mas também sei reconhecer um atleta de nível internacional de um "grande" atleta de nível internacional.

Esse "grande" sabe ser campeão; dá o melhor de si mesmo na hora mais importante.

Consegue canalizar a tensão do momento para a excelência do movimento.

A prova do salto com vara feminino, no Mundial de Berlim, foi atípica. A maior de todos os tempos, talvez com excesso de confiança na próprio vara, saiu prematuramente da disputa. A segunda, a terceira e a quarta colocadas em Pequim não participaram da final.

Fabiana Murer tinha uma grande oportunidade de escrever seu nome na história.

Mas o seu salto ficou a mais de 20cm de sua melhor marca no ano.

Ficou sem medalha, sem glória.

Sem o rótulo de "grande".

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Tudo ao mesmo tempo agora

Após um longo período de ausência, este blogueiro está de volta. Ao menos, por ora.

Desde o dia 3 de junho coisas importantes acontecerem em nosso esporte brasilis, mas por pura falta de tempo não pude registrar meus comentários sobre tais eventos.

Para não perder mais tempo, então, vamos a uma breve retrospectiva.

Comemorações - No dia 4 de julho, celebramos o cinquentenário do primeiro título em Wimbledon de Maria Esther Bueno. Foi a primeira grande conquista daquele que é, na minha opinião, um dos três maiores nomes do nosso esporte, e eu não poderia deixar de registrar minha homenagem. Já no dia 17 do mesmo mês, foi a vez do 15o aniversário do Tetra, conquista muito comemorada e criticada, mas ainda assim uma conquista importantíssima. De um grupo limitado, sem muito brilho, mas que na união e na consistência venceu uma Copa do Mundo. Filme que tem tudo para ser repetido em 2010.

Festa hermana - Mais uma vez, um time brasileiro perdeu uma final de Libertadores jogando em casa. O Cruzeiro, de campanha brilhante, foi tricampeão da América por 20 minutos, mas não resistiu ao bom time do Estudiantes liderado pelo 'monstro' Verón, numa atuação épica. Gostaria que o Cruzeiro tivesse ganho, mas é de se reconhecer o tamanho do feito do Estudiantes, muito bem ilustrado pelo choro de 'La Brujita' ao apito final do árbitro.
Aqui, cabe uma digressão. Nossos dirigentes vivem reclamando do assédio dos clubes europeus a nossos jogadores, de que é impossível competir com o poderio econômico europeu, etc. E isso é verdade. América do Sul e Europa (ou Japão, Arábia, e outros) vivem realidades diferentes, e a grana deles falará mais alto sempre. Mas o abismo poderia ser um pouco menor.
Vejamos. A final da Champions League é um evento que faz parar a Europa. Por semanas, entre a definição dos finalistas e a realização do jogo, só se fala nele. A cidade-sede do jogo (escolhida no ano anterior) se prepara para receber milhares de torcedores, dispostos a desembolsar alguns milhares de euros por um único ingresso. E a temporada européia de futebol é encerrada com chave de ouro, coroando o melhor time do continente em um grande evento esportivo, assistido em todos os cantos do mundo.
A versão sudamericana, a Libertadores, é um pouco diferente; aliás, bem diferente. Ao invés de ser disputada ao longo de toda a temporada, é espremida em um único semestre, com os times ainda em fase de preparação. As etapas eliminatórias são disputadas em sequência, sem o manor tempo para se promover o espetáculo. Em 2009, uma única semana separou o fim das semi-finais do primeiro jogo da decisão. E pior: Cruzeiro e Grêmio jogaram um jogo das quartas e um das semis desfalcados de importantes jogadores, que haviam sido convocados para um torneio oficial da Seleção Brasileira... a Conmebol nem se preocupa em organizar seu mais importante campeonato em sintonia com o calendário da FIFA. Isso sem falar que o Brasil não teve a oportunidade de assistir aos seus jogos mais importantes, já que a Globo prefere transmitir outros jogos menos importantes (este ponto será analisado mais à frente).
Enfim, tudo é feito da forma a se ganhar o mínimo de dinheiro possível. Assim, fica difícil mesmo.

Brasileiro não gosta de futebol - Essa é uma tese que já defendo há algum tempo, e que restou comprovada com o descaso da Globo para com a Libertadores. Como colocado acima, o Brasil que não tem TV a cabo (exceto MG e RS, claro) não pode assistir às semis e quartas da Libertadores, pois a Globo mostrou outros jogos infinitamente menos importantes, como por exemplo Corinthians x Fluminense, da 9a rodada do Brasileirão. A Globo, que tem fins lucrativos, quer ganhar dinheiro. E já aprendeu que, independente da importância do jogo, o brasileiro padrão assiste apenas a jogos do seu time. Ele se lixa para o resto. Não sabe apreciar a beleza do esporte, quer apenas contar vantagem ou gozar o vizinho na 2a feira. O brasileiro é apaixonado por seu clube de coração e, cada vez menos, pela Seleção Brasileira. Mas não dá a mínima para o futebol.

Dinheiro público em estádios - Depois de passar meses tentando enganar alguém, a CBF finalmente admitiu que verbas públicas deverão ser usadas na construção de estádios para a Copa-2014. Alguém tinha alguma dúvida? Mais uma vez, seremos os trouxas da história. Pagaremos por algo que não usaremos, e alguns poucos ganharão com isso. Mas eu já sabia disso, já que sou um trouxa consciente. Sinto pelos trouxas ingênuos, que serão roubados sem nem ao menos se dar conta disso.

Máfia do apito no arquivo - Dois Desembargadores, de três, já votaram a favor do arquivamento do caso do escândalo da arbitragem de 2005. Segundo eles, faltam elementos para configurar como crime as práticas do grupo. Pode?

Brasileirão - . O Palmeiras provou que realmente as coisas estão diferentes por lá (para melhor) ao trocar WL por MR, e está forte na briga. O Goiás surpreende, mas não tem camisa nem relevância nacional para chegar lá. O Internacional era, depois não era mais, agora é de novo candidato ao título. O São Paulo mostrou que não é tão melhor assim que os outros, mas a espetacular recuperação indica uma certa superioridade estrutural que tornas as crises mais bem administráveis. O Galo já deucantou o que tinha para cantar. O Avaí já cumpriu sua meta, muito bem estabelecida, de permanecer na Série A. O Grêmio precisa impor seu gigantismo caseiro também fora de casa. O Corinthians teve o melhor time do Brasil por duas semanas; então, vendeu três jogadores medianos e achou-se com um time medíocre, fora da briga. O Barueri, bancado pela Prefeitura (condenada pelo TCE por desvio de finalidade no uso de dinheiro público) vai melhor do que eu gostaria, pois times de tamanha insignificância não agregam nada ao futebol brasileiro. O Flamengo tem problemas maiores fora do campo do que dentro dele, e enquanto essa situação persistir, não voltará a ser o Flamengo. O Vitória mandou embora Carpegiani, que não ia mal, e trouxe de volta Vágner Mancini, que havia sido mandado embora quando também não ia tão mal. O Santos acolheu de volta WL, que já não é mais WL, e enquanto continuar sendo um empreendimento pessoal de seu Presidente, restará ao Peixe o papel de coadjuvante. O Furacão vai escapando, comandado pelo incansável Paulo Baier. O Cruzeiro, infelizmente, foi mais uma vítima do calendário e nem entrou na briga em que merecia estar. O Botafogo vai continuar indo a lugar nenhum por um bom tempo, mas é um exemplo de administração a ser seguido; tomara que volte a ter ao menos um pouco do brilho que teve décadas atrás, pois hoje só vai brigar para não cair. O Coritiba está na mesma briga do Botafogo. O Santo André deve voltar para a Série B, de onde não deveroa ter saído. O Náutico é a maior chamce de o Nordeste continuar sendo representado na Série A em 2010. O Fluminense já caiu. O Sport também.

Susto - A minha querida Budapeste foi palco de um momento quase-trágico para o esporte nacional. Por alguns minutos, fomos mentalmente transportados de volta para aquele 1o de maio de 1994, ao vermos Felipe Massa imóvel dentro do cockpit, depois de uma violenta batida. Felizmente ficou no quase.

O verdadeiro Imperador - César Cielo, aos 22 anos, já é um dos grandes nomes do nosso esporte de todos os tempos. Dá gosto vê-lo nadar, falar, chorar. Como brasileiro, não tem grandes diferenças para boa parte da população: simples, emotivo, descendente de imigrantes. Já como atleta, é um brasileiro como poucos: disciplinado e formado lá fora, apoiado por um sólido e bem instruído núcleo familiar, e sem depender de cartolas incompetentes e, por vezes, bisonhos, como é o caso da CBDA. Dá gosto ver o Cesão vencer e saber que ele não deve nada a essa gente.
Digressão número 2: em 2007, no devaneio esportivo do Pan, o Brasil descobriu um novo ídolo. Thiago Pereira, o "Michael Phelps brasileiro", ganhou 8 medalhas na competição, 6 de ouro. Foi apontado como a grande promessa da natação brasileira para Pequim - mesmo sabendo-se que competiria na mesma prova que o "Michael Phelps americano". Terminou em 4o, mesma colocação do Mundial de Roma. E esquecido. Porque no Brasil só vale o primeiro. Quarto lugar, grande bosta.
Thiago é um grande nadador, mais pelos 4os lugares olímpico e mundial do que pelo multi-medalhado Pan-Americano. Acontece que ele não teve a oportunidade, ou os recursos, de aperfeiçoar seu nado no exterior, onde estão os melhores. E, claro, escolheu a prova de Phelps.
Com as malas prontas para os EUA, Pereira tem a grande oportunidade para tentar subir nesse pódio.

"Eu não sabia" - Com essa alegação simplista, já consagrada na polítca lulista, Jayme Netto abandonou sua carreira de técnico de atletismo depois que cinco atletas seus foram pegos no anti-doping. O mordomo da vez foi o fisiologista. Eu não sei quem fez o que, mas o que não dá para engolir é o fato de um técnico renomado não saber que determinada substância é proibida.

Acho que foi mais ou menos isso. Se esqueci alguma coisa, deixe um post.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Palco da discórdia

Alguns dos melhores momentos da minha vida foram vividos dentro do Morumbi.

Alegres, a maioria, e tristes, outros, necessários para valorizar ainda mais os primeiros.

Com a realização do Copa-2014 no Brasil, a chance de assistir a um jogo de Copa do Mundo neste estádio acrescentaria outro importante marco na minha relação pessoal com ele.

Porém, sentimentalismos à parte, é preciso reconhecer: o Morumbi é um estádio ruim.

O acesso, difícil; estacionamentos, inexistentes. A entrada, então, consegue ser mais irritante que todo o resto. Apenas duas rampas para toda a arquibancada, sendo que uma delas começa (ou termina, dependendo do ponto de vista) junto à Giovanni Gronchi, uma avenida longe de ser tranquila.

A visão do jogo não é das melhores, já que a inútil pista de atletismo trata de aumentar ainda mais a distância para o campo (isso sem falar nos tais "pontos cegos" que a FIFA encontrou).

Cadeiras de plástico foram colocadas sobre o concreto, mas o conforto ainda passa longe das arquibancadas.

A saída ao fim do jogo é lenta, já que os estreitos acessos aos portões de saída (das arquibancadas) não dão a vazão adequada à multidão.

Sem contar com os aspectos técnicos levantados pela FIFA, já dá para afirmar que o São Paulo não tem um belo estádio - apesar de, na voz dos dirigentes tricolores, parecer se tratar da Oitava Maravilha do Mundo.

Tudo bem que alguns dos pontos por mim listados são facilmente corrigíveis (com recursos do São Paulo Futebol Clube ou de eventuais patrocinadores, diga-se), em se tratando de uma Copa do Mundo. Mas, mesmo que não fossem, não muda o fato de que o Morumbi deve ser o estádio de São Paulo para o evento. Porque será inadmissível a construção de nova arena na cidade.

Já temos em belo estádio público, que é o Pacaembu- que, por sinal, é deficitário. Por que teremos de arcar com outra obra destas, que não trará nada senão mais despesas para São Paulo?

Como dito no post abaixo, estádios brotarão como erva daninha Brasil afora, fazendo a festa dos inescrupulosos. Seria o fim da picada ver isso acontecer na minha cidade, que já possui um estádio. Como também seria um absurdo assistir de perto à repetição do que aconteceu com o Engenhão, no Rio, que foi pago com dinheiro do povo e dado praticamente de graça a um clube privado, já que não havia outra utilidade para ele.

A Copa do Brasil deverá ser disputada nos Maracanãs, Mineirões e Morumbis que temos - reformados e adequados para tal.

E deverá ter a cara do Brasil, não da Alemanha ou do Japão.

Não podemos arcar com obras despropositadas apenas para mostrar para o mundo que somos algo que não somos.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

O início da farra

Sem nenhuma surpresa, foram divulgadas oficialmente as cidades-sede da Copa 2014.

São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Curitiba, Cuiabá, Salvador, Recife, Natal, Fortaleza e Manaus terão a honra de receber os jogos do maior evento esportivo do mundo.

Além de, claro, milhões de reais em investimento.

Que fazem salivar a boca de políticos e aproveitadores.

A Copa que não veria um centavo de dinheiro público empregado na construção de estádios já não existe mais. Já tivemos R$ 50 milhões torrados, a troco de nada, no absurdo Bezerrão, um estádio para quase 40 mil torcedores, em uma cidade pobre de pouco mais de 100 mil habitates, e que servirá no máximo como campo de treino de algum seleção que se hospedar em Brasília.

E não vai parar por aí. Longe disso.

O Estado de S. Paulo trouxe ontem a relação dos gastos previstos na construção ou reformas de estádios país afora. Segue parte da lista:

Vivaldão, Manaus: R$ 400 milhões
Verdão, Cuiabá: R$ 350 milhões
Mané Garrincha, Brasília: R$ 600 milhões
Castelão, Fortaleza: R$ 400 milhões
Fonte Nova, Salvador: R$ 250 milhões
Mineirão, Belo Horizonte: R$ 500 milhões
Maracanã, Rio de Janeiro: R$ 430 milhões

Essa parte não foi escolhida sem critério. Ela traz os estádios em que os investimentos serão com dinheiro público, totalizando a bagatela de R$ 2,93 bilhões.

Repito: DOIS BILHÕES E NOVECENTOS E TRINTA MILHÕES DE REAIS. Apenas em estádios.

Pois é. E tudo isso gasto em obras como, por exemplo, um estádio para 71 mil torcedores em Brasília. Qual a utilidade pós-Copa disso?

Estão previstos também bilhões em obras de infra-estrutura, que serão mais do que bem vindos. Mas nesse ponto deixo uma questão: é preciso uma Copa do Mundo para resolvermos nossos problemas?

Respondo: sim. Pois, se alguém não levar alguma "vantagem" nisso, não seria Brasil.

Vai ter muita gente, que não liga a mínima para futebol, rindo à toa por causa da Copa.

Brasil-2014 já é uma realidade, não dá mais para voltar atrás, e o máximo que podemos fazer é torcer para que estejamos errados, já que nem fiscalizar parece ter muita utilidade - vide o relatório do TCU sobre o Pan.

E torcer para que outros eventos deste porte passem longe daqui. Pelo menos enquanto não solucionarmos nossos reais problemas.

O que o Brasil menos precisa é mais uma chance para a corrupção proliferar.

domingo, 24 de maio de 2009

Do lado bom das grades

Do tribunal à glória em poucas semanas.

Nem no mais incrível roteiro de cinema isso soaria plausível.

Às vezes a verdade é mais estranha que a ficção.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Nem Freud explica

O maior psicólogo do mundo mora... na Vila Cruzeiro, "comunidade" do Rio de Janeiro.

Afinal, como explicar a súbita alegria do Imperador?

O mesmo que, pouco mais de um mês atrás, trocou as regalias de Milão e um contrato milionário com um dos clubes mais importantes do mundo, para ficar junto aos seus em uma favela fluminense.

Perdera a alegria, a vontade de jogar futebol.

E todo mundo acreditou.

Já passou da hora dos jogadores de futebol serem tratados como homens, que são, e não como coitados garotos.

Para encerrar a novela, só falta o Adriano abandonar o Flamengo daqui alguns meses, alegando que não recebe salário.

domingo, 3 de maio de 2009

Enfim, o fim





Após quase quatro meses de jogos ruins e sem importência, os Estaduais chegaram ao fim nesse fim de semana.

Nas fases finais, finalmente, tivemos jogos emocionantes.

Deu o óbvio.

Em São Paulo e no Rio Grande do Sul, ganhou quem mais precisava.

Em Minas, ganhou o único time do Estado que restou apto a ganhar algo.

No Rio de Janeiro, na falta de um campeão decente, venceu o da a maioria.

Semana que vem, sem ao menos termos tempo de respirar/comemorar, já começa o Campeonato Brasileiro.

E, dois oito finalistas dos campeonatos citados, não mais do que dois ou três brigarão pelo título.

O Internacional virá babando, por causa do centenário e dos 30 anos do título invicto de 1979 - o último Campeonato Brasileiro colorado.

O Cruzeiro tem um belo e amadurecido time.

O Corinthians tem força e um fator de desequilíbrio, mas ainda acho que falar em título é um pouco demais.

O resto é resto.

Mostrando que ganhar o Estadual pode até ser legal, mas não significa nada.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

O meu primeiro de maio de 1994

Acordei mais cedo que o normal. Apesar de ser um domingo, a corrida de F1 não foi o motivo. Nunca fui um fã da modalidade, portanto esse ritual dominical não fazia - nem faz - parte do meu fim de semana. Mas acho que ouvi meu pai ligando a TV, ou coisa parecida, e resolvi levantar.

A minha última preocupação era a corrida. Naquele ano, as coisas não andavam boas para os brasileiros. Ayrton Senna, depois de muito insistir, conseguira sua vaga na Williams (já naqueles tempos, de nada adiantava ser o melhor piloto se você não tivesse o melhor carro), mas após duas corridas o piloto ainda não somava pontos, apesar das duas poles. O estreante Rubens Barrichello estava fora da etapa em questão, San Marino, devido a um terrível acidente durante os treinos.

Naquela manhã, a minha preocupação era outra: São Paulo e Palmeiras se enfrentariam no Morumbi e decidiriam o Campeonato Paulista. Não era a final, já que a disputa daquele ano era por pontos corridos, mas o vencedor do jogo da tarde abriria vantagem sobre o rival e fatalmente seria o campeão. E o Tricolor, então atual Bi-Campeão Mundial, não poderia deixar o 'Palmeiras-Parmalat' vencer mais um campeonato (essa era a visão de um adolescente de 15 anos). Com o ingresso na mão, contava as horas para o jogo.

Portanto, a prova de F1 não foi a causadora das horas a menos de sono. Afinal, seria apenas mais uma corrida...

Entrei na sala, meu pai sentado no sofá e a TV mostrava os carros perfilados na pista. Dei bom dia, sentei, e segundos depois a largada foi dada. Senna na frente - sua 65a pole position da carreira - seguido de perto pela jovem promessa alemã Michael Schumacher. Um pequeno acidente, uma re-largada, e poucas voltas depois, o acidente.

A imagem da Williams se arrebentando contra o muro foi, por si só, impressionante. Corrida parada, Senna imóvel dentro do carro. O curioso foi que, mesmo com a violência das imagens, não fiquei preocupado. Em nenhum momento achei que algo de mais grave iria acontecer, tanto que fui tomar café da manhã. O piloto daquele carro não era qualquer um, mas Ayrton Senna.

Os minutos passaram e as notícias começaram a chegar. Más notícias.

O estado do piloto não era bom.

Cirurgia.

Apreensão.

Morte cerebral.

O impensável acontecera, e Ayrton Senna estava praticamente morto.

Um dos meus amigos desistiu de ir no jogo, mas ainda restou outro que topou. Quando saí de casa, a morte de Senna era ainda provável, mas não fato consumado. O que aconteceu logo depois.

Pela primeira - e única - vez na minha vida presenciei duas torcidas rivais cantando a mesma coisa dentro do estádio. Antes do início da partida, os gritos de "Olê, olê, olê, olá, Senna, Senna" eram uníssonos. Por alguns minutos, rivais se juntaram na dor de uma perda, até então, impossível. E irreparável.

A bola rolou, o São Paulo perdeu (um jogo memorável), mas acho que mesmo palmeirenses, após breve momento de euforia, voltaram à realidade momentos após a partida.

Mesmo quem não era fã de Fómula 1 sentiu o baque. Acredito que até aqueles que tomaram as dores de Piquet, na notória inimizade entre os pilotos, ficaram chocados.

A F1 nunca mais seria a mesma. Talvez nem o Brasil tenha continuado igual, visto a comoção que varreu o país durante a semana seguinte.

Ídolos surgem e somem, invariavelmente, um após o outro.

Mas não é todo dia que vemos, ao vivo, o surgimento de um mito.