quinta-feira, 31 de maio de 2007

Os gaúchos

Comentei num dos textos abaixo como a concorrência entre rivais faz bem a ambos, e que o sucesso de um pode favorecer o sucesso do outro.

Essa minha tese vem sendo ainda mais reforçada com o desempenho dos grandes gaúchos nos últimos anos. Os títulos e campanhas já falam por si só.

Mas suas revelações também ajudam a me dar razão.

Da parte do Inter surgiu ano passado o Alexandre Pato. Mesmo com uma super exposição na mídia exagerada e antes da hora, tem talento e já não sai do Colorado por menos de U$ 20 milhões, ou algo próximo a isso.

Já no lado do Olímpico, tivemos em Lucas a revelação do campeonato, que infelizmente já fez as malas para a Inglaterra. Mesmo destino do Anderson, herói da Batalha dos Afiltos, que trocou o Porto - campeão português - pelo Manchester - campeão inglês - por algo em torno de U$ 30 milhões. Isso sem falar na promessa Carlos Eduardo, que pelo menos no rosto já lembra outro gaúcho... o Ronaldinho.

O resto que se cuide.

Noite (quase) Tricolor

Noite muito interessante com os jogos nas capitais gaúcha e fluminense, jogos estes que num mundo perfeito deveriam acontecer lá por outubro, não em maio.

A "mística castelhana" esteve mais uma vez presente na fria noite porto alegrense, e o Grêmio dau passo gigantesco para a final da Libertadores. O jogo foi bom, sem muitos lances bonitos mas brigado e com uma marcação eficiente e leal de ambos os lados.

Do jogo, tiro três pontos:

- A marcação adiantada do Grêmio matou o meio-campo do Santos e ganhou a partida.

- Como joga bola o Maldonado (claro que falo isso desde a época do São Paulo, mas cada vez que assisto uma partida dele faço questão de repetir).

- Acredito que, aquele que chegar à final da Libertadores, ganhando ou não a competição, estará fora da briga pelo título do Brasileiro. O desgaste dos dois jogos da semi e dos dois da final - aposto totalmente que o Boca chega - combinado com a euforia do título ou a frustração do vice-campeonato vai gerar uma queda de produção que dificilmente será superada a tempo. Ah, e se o Grêmio não ganhar o direito de disputar o Mundial, deve perder Mano Mezenes para o Tricolor paulista.

Falando agora do menos brilhante Tricolor carioca, escapou por pouco de uma derrota em casa, no jogo de ida da final da Copa do Brasil. Claro que não vi o jogo, porque sou um só. Mas vendo os melhores momentos e os comentários, também destaco três pontos:

- O Tricolor das Laranjeiras até teve mais volume, mas não foi tão superior levando-se em conta que tinha mais de 64 mil torcedores a favor.

- Novamente, pênaltis não marcados no Maracanã. Um claríssimo para o Fluminense, e outro mais discutível para o Figueirense. A arbitragem brasileira segue deplorável.

- O Carlos Alberto, cada vez mais, enterra a sua carreira. Ou ele muda rápido de atitude ou vai para o ostracismo.

Mas ainda acredito que o Flu leva. Já ganhou a vaga fora de casa esse ano, e acho que leva de novo em Florianópolis.

Semana que vem, cravo um palpite: Tricolores 2 x 0 Alvi-Negros.

Mais gastos

Foi anunciada a "turnê" da tocha Pan-Americana pelo país. Ela percorrerá todos os 26 Estados e o Distrito Federal.

Vai ter um custo: R$ 10 milhões.

Não tenho parâmetro para dizer se é caro ou barato. Mas R$ 10 milhões são R$ 10 milhões, e se o gasto seguiu a linha de todos os outros desse Pan, dá para afirmar que é muito.

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Acerto errado

Hoje, a FIFA deu sinais que tinha tomado uma decisão correta, vetando a possibilidade de locais acima dos 2500m de sediarem partidas de seleções de futebol.

Até fiquei contente, imaginando que a decisão tinha sido tomada baseada em algum parecer médico, e que poderia ser um indício que outras restrições climáticas, como umidade do ar ou temperatura, também fosse colocadas à prática do futebol profissional. Absurdos como a final da Copa de 94 seriam evitados daqui para frente.

Mas ouvindo alguns comentários na TV, já deu para perceber que a decisão não foi médica, mas política, e o limite de 2500m arbitrado pela própria FIFA. Os "prejudicados" acabaram sendo Equador, Bolívia, Peru - países sem expressão futebolística - , sem afetar o México e tornando o caminho do Paraguai (mesmo país do presidente da Conmebol) à Copa do Mundo mais fácil.

É triste que, mesmo decisões parcialmente acertadas, sejam tomadas de forma errada, pelos motivos errados. Tudo contiua na mesma.

domingo, 27 de maio de 2007

Os problemas do Cruzeiro

Um título Brasileiro, três Copas do Brasil, duas Libertadores, uma das melhores estruturas do país. Sem dúvida, o Cruzeiro esrá no grupo dos maiores clubes de futebol do Brasil, mas desde o grande ano de 2003 não consegue repetir os bons resultados alcançados naquele ano. Em 2007, mais uma vez, começou o ano estipulando grandes objetivos, mas depois de uma vexatória derrota na final do Mineiro, da demissão do Autuori e de um início pífio no Brasileirão, com duas derrotas seguidas em casa, a Raposa dá sinais que a má fase não tem data para acabar.

Qual seria o problema? Com certeza erros táticos, como más contratações de jogadores e comissão técnica prejudicaram, mas acredito que problema seja mais embaixo, e a solução mais complicada. Duas questões conjunturais são cruciais nessa questão.

A primeira dela, já discutida nesse blog, é a continuidade da Diretoria do Cruzeiro. Não acompanho de perto o trabalho, acredito até que a torcida não tenha restrições (tenho amigos cruzeirenses e nunca ouvi reclamações), mas o reinado de Zezé Perrela e Cia. já passou do ponto. Não há renovação de pessoas e de idéias, e com isso vícios e possíveis falcatruas têm continuidade. Em momentso ruins, trocar o técnico e alguns jogadores é pouco.

A segunda não é culpa do Cruzeiro e com certeza poucas pessoais nas Gerais - e fora dela - se dão conta, e até se alegram com o fato. O rebaixamento do Atlético-MG em 2005 foi comemorado pela torcida celeste, mas pode ter ajudado a abaixar o nível do próprio Cruzeiro.

Em qualquer lugar, em qualquer atividade, o sucesso de um parceiro ou rival faz com que aqueles que o cercam tentem obter o mesmo sucesso, melhorando seus processos até atingir o resultado esperado. O primeiro, não querendo perder a condição conquistada, também procura implementar o seu trabalho, e o resultado geral do processo é um círculo virtuoso benéfico a todas as partes envolvidas.

Em Minas, momentâneamente, isso foi perdido. Por alguns anos, o grande rival do Cruzeiro estave ausente do rol dos melhores times, e a consequência disso foi que o próprio Cruzeiro baixou a guarda. Com o seu maior referencial de disputa em baixa, caiu também o referencial de qualidade na Toca da Raposa, e o resultado está aparecendo agora. É óbvio que nenhum cruzeirense percebeu isso, pois estavam ocupados demais tirando sarro e comemorando a desgraça alheia.

Aliás, sou da opinião que o Galo, por maior e mais emocionante que seja sua torcida, está bem para trás do grupo dos principais clubes do Brasil. Apenas um Brasileiro e uma Conmebol é muito pouco para alguém que tem esse rótulo. O próprio Cruzeiro está muito à frente, mas agora sinto que a falta de um rival à altura está surtindo efeitos colaterais para ele.

Como comparação, vejamos Porto Alegre. Esta é a outra capital brasileira com características semelhantes a Belo Horizonte: ambas são consideradas os "segundos" centros do país, têm um povo peculiar e orgulhoso de suas origens, e têm apenas dois grandes times de futebol que dividem a torcida grosso modo meio a meio. É muito comum que os dois times andem juntos, para o bem ou para o mal.

Em Minas, os dois times andam mal, têm problemas administrativos e adotam táticas semelhantes na busca de melhores resultados: parcerias com times pequenos do interior, unindo a possibilidade de dar "rodagem" a jogadores jovens e ideais megalomaníacos. Os jogos entre Atlético e Democrata no último Mineiro mostram que essa prática não é saidável para o futebol como um todo. Mas se meu vizinho faz, também tenho que fazer.

Já nos pampas a situação é outra. Ano passado, Inter e Grêmio terminaram, respectivamente, em segundo e terceiro lugares no Brasileiro. Também em 2006, o Inter venceu a Libertadores e o Mundial Interclubes, feitos que o Grêmio podem repetir esse ano. Seus planos de crescimento envolvem bem-sucedidas estratégias de aumento do quadro de sócios dos clubes e projetos audaciosos e realistas de reformulações em seus estádios (aliás, em Porto Alegre os dois grandes times possuem estádios próprios; em BH nenhum deles, apenas o pequeno e rebaixado América). Nada disso é coincidência.

Só mais um comentário a respeito: São Paulo e Rio fogem um pouco a essa regra, pois tendo cada um destes centros quatro "grandes" cada, sempre há um em boa forma para ser o exemplo aos demais. Ou, num cenário mais sinistro, os quatro se afundam, como vêm acontecendo em terras fluminenses nesta década - e também não é coincidência que os quatro parecem ressurgir no cenário nacional ao mesmo tempo.

Um jargão corporativo diz que "Concorrente bom é concorrente forte". Num meio frio e estritamente de negócios isso faz todo o sentido, e se transferido para o passional mundo dos esportes torna-se um pensamento irreal. Tão irreal quanto assistir cruzeirenses gritando "Ga-lôôô!!!".

Claro que não chego a esse ponto. Mas que os problemas do Cruzeiro passam por isso, não tenho dúvida.

sexta-feira, 25 de maio de 2007

A CPI do Pan

Concordo que orçamentos iniciais nunca são cumpridos à risca até o final, pois imprevistos acontecem e a parte teórica de um projeto dificilmente se confirma na parte prática.

Também concordo que um evento como o Pan, para ser aprovado por investidores e opinião pública, pode ter seus investimenos subavaliados, pois o número real apresentado de cara talvez impedisse a sua realização - e isso acontece mundo afora, não é uma demonstração prática do jeitinho brasileiro.

Mas o que está acontecendo no Pan é demais. O Estado do Rio de Janeiro deveria ter gasto com os Jgoso R$ 31 milhões, mas a conta real já chegou aR$ 500 milhões (aumento de 1.513%). A conta do Governo Federal aumento em 11 vezes, passando de R$ 138 milhões para R$ 1,5 bilhão, segundo a Folha Online.

É um absurdo, sendo impossível não suspeitar de desonestidade. Além, claro, de profunda incompetência.

O lado bom da história é que foi aprovada por vereadores do Rio uma CPI para investigar as irregularidades. Se o trabalho for bem feito, ao menos os absurdos cometidos serão de conhecimento público.

Mas - como sempre - dificilmente alguém será punido. Até porque cada medalha conquistada será usada como justificativa ufanista para o saldo negativo nos cofres públicos, como se os fins justificassem os meios e como se bons resultados num Pan, em casa, indicassem uma melhora no esporte nacional.

Mais uma lição do vôlei

A primeira fase da Liga Mundial de vôlei masculino começa neste fim de semana, e na convocação do Bernardinho para os primeiros jogos constam apenas cinco jogadores que estavam presentes no último Campeonato Mundial. Além de um planejado processo de renovação da seleção, a comissão técnica decidiu dar um descanso para os titulares.

No vôlei, eles sabem que atletas não são máquinas e que, para renderem o máximo, devem estar bem preparados fisica e mentalmente, o que inclui doses certas de descanso. E foi decidido que, os primeiros jogos da Liga Mundial, seria a época certa para esse descanso.

Com também seria a Copa América, no futebol.

Cada vez me convenço mais que o Bernardinho daria um excelente técnico da seleção brasileira... de futebol.

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Ah, as mulheres...

Mais uma vez, a Ana Paula está no centro da polêmica. Não acho que os erros de ontem tenham sido tão escândalosos como o do Simon, mas foram erros que mudaram o resultado da partida. E a discussão sobre mulheres no futebol volta à tona.

Para mim esse é o ponto crucial da questão. A Ana Paula é uma boa assistente, mas todos os seus atos - erros, acertos, poses - são comentados não sob o enfoque de um profissional no futebol, mas de uma mulher no futebol. E aí a discussão já perde o foco, pois argumentos como 'Só por ser mulher...', 'Apesar de ser mulher...' ou 'Ser mulher não quer dizer que...' gastam energia discutindo-se o que não deveria ser discutido. Erros continuarão acontecendo, independente de serem cometidos por homens ou mulheres, mas quando o sexo feminino é o protagonista do erro ele ganha proporção maior do que deveria.

O ofício de arbitrar atos de outras pessoas é desgastante por si só, e mesmo pessoas preparadas e focadas apenas nisso são passíveis de erros de julgamento. E, desculpem-me as feministas, mas é inegável que a Ana Paula está na mídia - e gosta de estar - não só por seu talento com a bandeira, mas também porque ela mesma fomenta isso buscando oportunidades extra-campo. Por menor que seja, essa idéia já desvia seu foco principal, gerando situações como a de ontem. Não acho uma cena agradável ver uma mulher sair escoltada, de onde quer que seja.

A origem católica do Brasil moldou uma sociedade patriarcal e machista, e mesmo com os avanços da sociedade ainda somos assim. Com o futebol, nosso meio machista entre todos, não poderia ser diferente, e qualquer mulher que se aventure no meio terá que, além de provar o seu talento, provar que uma mulher pode ter talento para vencer nesse meio. É um esforço extra que, geralmente, compromete a concentração e o resultado final.

Toda quebra de paradigmas é acompanhada por choques e demanda tempo, e a inclusão de mulheres no meio futebolístico é um deles, que presenciamos em tempo real. Se esse confronto de tese com antítese produzirá uma nova síntese, só o tempo dirá. Mas, hoje, o futebol ainda não está pronto para receber as mulheres.

Mesmo que tenham um belo par de coxas.

Sorte, competência e o Grêmio

É impossível chegar a uma semi-final de Libertadores sem grande dose de competência, mas às vezes a sorte tem parcela decisiva de contribuição. Esse é o caso do Santos. Teve 100% de aproveitamento na primeira fase um um grupo fraquíssimo, suou para eliminar um time venezuelano nas oitavas e quase perdeu para o time reserva, sem reservas, do América. Saiu perdendo os dois jogos em casa, e virou basicamente devido à fragilidade dos dois adversários.

Ninguém discute a competência do Luxemburgo e o nível futebolístico do meio-campo santista - disparado o melhor do Brasil - mas tivesse a sorte dados as costas para o Peixe, o Brasileiro já seria prioridade na Baixada.

E agora encara o Grêmio. O time menos brasileiro do Brasil, da região menos brasileira da país, mostra cada vez mais a força que a mística castelhana carrega no futebol, impondo a terceira virada seguida em pouco mais de um mês. Não joga com técnica ou brilhantismo, mas isso não é necessário no Olímpico. A "avalanche" põe a bola dentro do gol, quantas vezes forem necessárias.

Se chegar ao título, estaria coroada uma das mais espetaculares ressureições do futebol brasileiro: da Série B ao Japão em menos de dois anos. Féito, aliás, já realizado pelo mesmo Grêmio de 93 a 95.

O caminho dos pampas a Tóquio já foi percorrido, e acredito será repetido mais uma vez esse ano. A pé, se preciso.

terça-feira, 22 de maio de 2007

Parênteses

Esse blog aborda temas referentes ao esporte brasileiro, deixando de lado temas internacionais. Mas com a globalização do esporte alguns desses temas acabam se tornando relevantes e cavam seu cyber-espaço neste fórum.

O absurdo da vez é a decisão do América do México vir disputar uma quarta-de-final com apenas 14 jogadores e nenhum titular, como divulgou o Juca Kfouri em seu blog. A prioridade deles é o campeonato mexicano, no qual estão na final. E, se a prioridade de times de um país de outra confederação, é o campeonato nacional em detrimento do torneio continentel, porque continuar participando? Falta de vaga no Mundial da FIFA? Se for isso, que disputem o torneio da Concacaf e abandonem a Libertadores. O que é inadmissível é que equipes "convidadas" tratem o terceiro maior torneio interclubes do mundo com esse desprezo.

Mas o que isso tem a ver com o esporte nacional? Tem a ver a partir do momento que clubes brasileiros disputam a competição, e esses clubes são federados a uma confederação, que por sua vez faz parte da Conmebol. E a CBF deveria brigar pelos interesses dos clubes contra essa inclusão mal-feita das equipes mexicanas, assim como a favor de um melhor calendário para as competições sul-americanas. É um absurdo termos a Libertadores espremida em quatro meses e o segundo semestre esvaziado com a desinteressante Sul Americana.

Na Europa, Champions League e UEFA Cup são disputadas simultâneamente ao longo de toda a temporada, tendo cada uma sua importância e atraindo o interesse de todo o continente.

Mas nem a Conmebol, muito menos a CBF, têm a intenção de mudar nada, pois têm outros interesses. Ou acham que está bom assim.