sexta-feira, 28 de setembro de 2007

O nosso Palermo

O atacante do Boca, mesmo quando se tornar o maior artilheiro xeneize da história, será sempre lembrado - pelo menos por nós brasileiros - como o jogador que perdeu três pênaltis em um só jogo. Fato difícil de ser igualado.
Pois bem, aconteceu novamente hoje à noite na Série B do Campeonato Brasileiro. Diferente, mas parecido.

O jogo era Coritiba x Ipatinga, no Couto Pereira, envolvendo os dois primeiros colocados na classificação. O jogo seguia 0x0 até os 47 min do 2o tempo, quando foi marcado um pênalti (duvidoso) a favor do Coxa. Ânderson Lima, experiente lateral, se preparou para a cobrança. Correu, bola no canto esquerdo do goleiro Fred, que com uma bela ponte colocou a bola pela linha de fundo. Bem na direção do auxiliar, que já erguia sua bandeira no ar. O goleiro havia se adiantado.

Protesto por parte dos jogadores do Ipatinga, e nova cobrança. Novamente, bola no canto esquerdo do gol, e novamente Fred pula e segura firme a bola. E, mais uma vez, a bandeira apontando o céu.

Não era possível, mas teríamos uma terceira cobrança. Dessa vez, Ânderson Lima mudou o canto, batendo a meia altura do canto direito do goleiro. Mas Fred também mudou o canto para pegar pela terceira vez seguida o chute do lateral. Dessa vez a bola sobrou para o rebote, mas antes de ser chutada para as redes o jogo já estava parado, por nova adiantada do goleiro do Ipatinga.

Na quarta cobrança, não teve jeito. Gol do Coritiba, que disparou na liderança e está muito próximo da Série A 2008. Até lá, o Ânderson terá tempo para por o pé na forma.

Atualização

A Diretoria do Botafogo reconsiderou e aceitou o pedido de demissão de Cuca.

Com isso, o time dá um passo atrás no seu processo de ressurgimento. O segundo em menos de um dia, se considerarmos o vexame histórico de ontem.

Talvez a saída fosse mesmo inevitável.

Tão inevitável como a necessidade de Cuca mostrar que, além de conseguir armar bons times, consegue montar times campeões.

Alex Escobar é Botafogo

Após o quarto gol do River já dava para perceber na voz de Alex Escobar, o ótimo comentarista do Sportv, a consternação com o resultado. Pouco tempo depois, ao fazer a análise da partida, dava quase para ver lágrimas em seus olhos. Ou seja, a foto mostrada ao lado é mentirosa, pois Escobar, com certeza, não é torcedor do América. Ele é Botafogo. Aquele cara triste, envergonhado e desnorteado não podia ser apenas um jornalista falando, mas alguém que realmente sentia a dor profunda do desespero.

A brincadeira do parágrafo acima - Escobar é mesmo americano - foi apenas parcial, pois sentimentos de tristeza, vergonha e desespero devem ter tomado conta da noite de torcedores, jogadores e dirigentes botafoguenses. Não me lembro de ter visto classificação tão ganha ser perdida. Em menos de 20 minutos, o Botafogo perdeu a chance de golear para ser goleado. E o ano se encerra em General Severiano em tom de tragédia.

O Botafogo não é, hoje, um time grande, e deixou de sê-lo há tempos. Passa por um louvável processo de reestruturação, que deve servir de exemplo para outros clubes, e até por isso a desclassificação de ontem foi ainda mais doída. Só não foi injusta, pois um time com a postura apresentada pelos alvi-negros após o segundo gol do River Plate deve ser castigada com a eliminação.

Cabe agora a essa competente Diretoria amarrar os farrapos até o fim do ano, torcendo para que acabe logo e que o planejamento de 2008 (provavelmente sem a Libertadores) leve em conta as derrotas sofridas pelo Fogão em campo no ano de 2007. Manoel Renha, seu Diretor de Futebol, já entregou o cargo; Cuca pediu demissão, não aceita - acertadamente - pela Diretoria.

E resta a Cuca assimilar mais essa derrota. Em entrevista à revista Trivela, do mês de setembro, o treinador desabafou: "Durmo com aquele gol do Once Caldas uma vez por semana. Confesso que, até hoje, ainda me dói aquela derrota." Para quem não se lembra, ele era o técnico do São Paulo durante a Libertadores de 2004, quando foi eliminado pelo time colombiano nas semi-finais, com um gol aos 43 minutos do 2o tempo.

A partir de hoje, Cuca tem um novo pesadelo para atormentar seu sono.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

O título vale mais que a vaga

Com as vitórias de São Paulo, Vasco e Botafogo*, a Copa Sul-Americana tem tudo para vir para o Brasil pela primeira vez. Os maiores empecilhos para isso, porém, são justamente São Paulo, Vasco e Botafogo.

O São Paulo encarou o confronto com o Boca como a razão de ser da competição, dando mais importância a ele do que ao próprio título. Os 47 mil torcedores de ontem no Morumbi certamente não seriam mais de 15 mil se o adversário fosse o Arsenal Sarandí, por exemplo. As atenções do Tricolor paulista agora devem se voltar principalmente para o Brasileirão, mesmo com a boa "gordura" à frente do Cruzeiro.

Vasco e Botafogo, mesmo sem conquistar um título internacional há anos, não escondem que suas metas do semestre são a vaga para a Libertadores. É aqui que a coisa fica estranha, e para explicar coloco a pergunta feita pelo Paulo Vinícius Coelho, o PVC: "É mais importante uma vaga para a Libertadores ou o título da Sul-Americana?" E a resposta, para a maior parte dos casos, é simples e direta: o título da Sul-Americana.

A ainda vigente tese dos "times grandes" faz com que a disputa da Libertadores seja encarada como um selo de qualidade aos times brasileiros, como se a conquista de uma das vagas representasse a redenção a anos de jejum de títulos. Note que sempre se fala em "vaga" para a Libertadores, e não em "título". É notório que a esmagadora maioria dos times "grandes" não tem a menor condição de vencer uma Libertadores, mas usa a simples - e às vezes vexatória - participação para acalmar os ânimos da torcida. O tradicional panis et circensis em versão futebolística - mas sem o pão.

Os casos de Vasco e Botafogo (que, no momento, toma um sufoco do River, mesmo com um a mais) são emblemáticos. Os dois estão no meio de uma ferrenha briga pelas duas vagas restantes do Campeonato Brasileiro, e pelo que vêm apresentando nas últimas rodadas as chances de as conseguirem são menores que as de seus adversários. Mesmo assim, duvido que venham a priorizar a Sul-Americana, mesmo estando a apenas seis jogos de um título inédito. Se tiverem que poupar alguém não será no tormeio nacional. Em nome da heróica vaga na Libertadores.

Vejamos as duas hipóteses. Garantindo a tal vaga, o time se mistura a outros 31 da América do Sul (entre eles os melhores da Venezuela e Bolívia, por exemplo), e faz ao menos seis jogos na primeira fase, três deles em casa. Tem certa renda e pode chegar às oitavas-de-final. Nesse caso teria mais um jogo em casa, com uma renda maior, mas sem um time e uma comissão técnica preparados para uma Libertadores, dificilmente chegarão às quartas (os casos recentes dessa possibilidade são diversos). Em resumo, o clube daria o prazer a sua torcida de assistir a quatro jogos em casa contra time fracos ou médios, mas seria eliminado e sumiria junto com os tais melhores da Venezuela e Bolívia. E de quebra não disputaria a Copa do Brasil.

Agora, se privilegiasse o título da Sul-Americana, esse mesmo time teria quatro jogos em casa (contados a partir das oitavas-de-final) de alta atratividade para sua torcida, o que geraria boas rendas de billheteria. Se realmente ganhasse o título, esse faturamente aumentaria ainda mais com os prêmios dados pela Conmebol. O time teria uma grande visibilidade na América do Sul, pois além do título disputaria no ano que vem a Recopa contra o vencedor da Libertadores. E, mais importante, traria um troféu inédito para a galeria.

Analisando friamente, parece não haver dúvidas de que para a maioria dos times brasileiros (em situação semelhante às de Vasco e Botafogo), vale mais a pena investir no título da Sul-Americana do que em uma vaga para a Libertadores. Mas o complexo de superioridade de dirigentes, técnicos e torcedores turva a visão para a realidade, e uma competição que tem toda a chance de "pegar" continua em segundo plano para o futebol brasileiro.


* Comecei a escrever logo após o segundo gol do Botafogo, que teoricamente o classificaria para as quartas-de-final. Até como mostra da minha incredulidade do que aconteceu hoje no Monumental de Nunez, preferi deixar o texto como estava, o que não invalida o seu conteúdo. Para quem viu o jogo, fica claro que um clube ainda em reestruturação não tem condições de fazer encarar de frente uma Libertadores. Mas, para o Fogão, a sonhada vaga é o que restou para 2007. Algumas coisas, realmente, só acontecem com o Botafogo...

"Caramba! Como é que eu fiz isso?!?"

Eu também não sei.

Mas o gol que a Marta fez hoje foi de botar inveja em muito marmanjo.

Até dá vontade de acordar cedo para ver Brasil x Alemanha.

Só que comentários sobre a Copa do Mundo de Futebol Feminino só depois de domingo.

A vez das mulheres

Depois do fracasso da Seleção masculino, chegou as vez das mulheres tentarem a vaga nio basquete feminino para os Jogos Olímpicos de Pequim. Só que algumas diferenças fazem o Pré-Olímpico de Valdivia ser bem menos interessante que o de Las Vegas.

A primeira delas é que dificilmente conseguiremos a vaga, pois apenas uma será dada na competição. E ninguém espera que não seja dos Estados Unidos.

A segunda é que a fragilidade das demais adversárias dificilmente impedirá que o Brasil fique, ao menos, com a quarta posição, o que nos leva ao Pré-Olímpico Mundial, em junho do ano que vem.

E a terceira é que teremos mais tranquilidade para conseguir a vaga no Pré-Olímpico Mundial do que a Seleção Masculina, pois serão cinco vagas distribuídas às 12 participantes. Portanto, para valer mesmo só no ano que vem. A vaga será um prêmio merecido para uma modalidade que, mesmo sem o apoio e a projeção na mídia devidos, consegue manter um nível competitivo no cenário internacional.

Em tempo: já estão definidos os participantes do Pré-Olímpico Mundial masculino, que será disputado em julho de 2008. São eles Porto Rico, Brasil, Canadá, Camarões, Cabo Verde, Líbano e Coréia, Nova Zelândia, Grécia, Alemanha, Croácia e Eslovênia.

Alguém duvida que ficaremos de fora de mais uma Olimpíada?

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

O equilíbrio - parte II

Continuando o assunto da postagem abaixo, olhem que interessante essa nova análise, levando em conta a classificação após a 27a rodada:

1. São Paulo: 60 pontos
2. Cruzeiro: 51 pontos
3. Grêmio: 44 pontos
4. Palmeiras: 43 pontos
5. Fluminense: 43 pontos
6. Santos: 42 pontos
7. Botafogo: 42 pontos
8. Vasco: 40 pontos
9. Internacional: 36 pontos
10. Sport: 36 pontos
11. Atlético-PR: 35 pontos
12. Goiás: 34 pontos
13. Figueirense: 34 pontos
14. Flamengo: 34 pontos
15. Atlético-MG: 33 pontos
16. Náutico: 33 pontos
17. Corinthians: 33 pontos
18. Paraná Clube: 31 pontos
19. Juventude: 27 pontos
20. América-RN: 12 pontos

Começando pela parte de cima, temos São Paulo e Cruzeiro brigando pelo título e virtualmente classificados para a Libertadores. O primeiro tem a vantagem de 9 pontos a mais e o confronto direto em casa; o segundo, o de ter uma sequência de jogos teoricamente mais fácil. Até a 32a rodada, quando os dois se enfrentam no Morumbi, a briga estará aberta.

O segundo bloco, compreendendo os times entre a 3a e a 8a posições (Grêmio, Palmeiras, Santos, Botafogo e Vasco) disputam as outras duas vagas para a competição internacional. O Fluminense, em 5o, já está classificado, mas estipulou como meta pessoal ser o melhor time carioca da competição.

Os times do terceiro e último bloco, que vai do 9o ao 19o colocados, brigam para fugir do rebaixamento e pelas últimas vagas na Sul-Americana. Mesmo achando que Internacional e Sport não correm grande risco, apenas 3 pontos os separam da 'ZR', portanto não podem vacilar.

Por fim, temos o já rebaixado América-RN.

Resumindo: faltando 11 rodadas para o final do Campeonato Brasileiro, 18 times ainda brigam por algo concreto, 1 por um objetivo particular e apenas o último colocado cumprirá tabela.

E ainda falam que campeonato por pontos corridos não tem emoção.

sábado, 22 de setembro de 2007

O equilíbrio

Até é verdade que o Campeonato Brasileiro não está entre os melhores do mundo, visto a desorganização, descaso de dirigentes e falta de craques. Mas não dá para negar que temos um dos torneios de futebol mais equilibrados dos atualmente disputados.

Para que façamos uma comparação, vejamos como está a tabela hoje, antes do início da 27a rodada:

1. São Paulo: 57 pontos
2. Cruzeiro: 48 pontos
3. Santos: 42 pontos
4. Botafogo: 42 pontos

5. Grêmio: 41 pontos
6. Vasco: 40 pontos
7. Palmeiras: 40 pontos
8. Fluminense: 40 pontos
9. Sport: 36 pontos
10. Internacional: 35 pontos
11. Figueirense: 34 pontos
12. Goiás: 33 pontos
13. Flamengo: 33 pontos
14. Corinthians: 33 pontos
15. Atlético-MG: 32 pontos
16. Atlético-PR: 32 pontos
17. Paraná Clube: 31 pontos
18. Náutico-PE: 30 pontos
19. Juventude: 26 pontos
20. América-RN: 11 pontos


Apenas o primeiro e o último colocados têm uma diferença considerável para o time mais perto na classificação geral. Se "apararmos" a tabela, porém, tirando os quatro primeiros (classificados para a Libertadores) e os quatro últimos (rebaixados), veremos que apenas 9 pontos separam o 5o colocado Grêmio (41 pontos) do 16o Atlético-PR (32 pontos). Ou seja, pouco mais de três vitórias se colocam entre os arcos da glória e os portões do inferno.

Não tenho como, agora, comparar o Brasileirão com os campeonatos europeus, pois só quando estes últimos chegarem nessa mesma rodada é que a comparação será possível. Mas, se tiver que dar um chute, arrisco que essa diferença será bem maior que 9 pontos.

O que não torna o Brasileirão melhor ou pior que nenhum outro, apenas mais equilibrado. Para o bem - disputa acirrada - e para o mal - futebol de baixo nível.

Desemprego na Europa

Muito se fala sobre a revoada de jogadores brasileiros para o exterior, sobre como isso deixa o Brasil privado de seus melhores craques e a falta de iniciativa de dirigentes para tentar, ao menos, reduzir o processo. Costumamos nos colocar no papel de vítimas nessa situação, pois vemos nossos craques ainda imberbes serem arrancados de seus berços, seduzidos por algumas centenas de milhares de euros.

Porém, na verdade, não somos as vítimas. Somos os vilões da história, responsáveis por causar de uma grave crise social na Europa: o desemprego de jogadores de futebol.

Vamos aos números, pois contra eles não há argumento. Segundo o site da CBF, 2349 jogadores de futebol deixaram o país desde 2005, e no mesmo período 1177 deles regressaram. Isso ainda deixa a considerável soma de 1172 atletas que foram para não voltar. Seja na Espanha, na Bósnia ou no Suriname, temos jogadores brasileiros dando suas pedaladas e carrinhos.

A maioria destes, como sabemos, não está em um país europeu, o que derrubaria a minha polêmica teoria proposta no título. Mas, considerando apenas uma amostragem - embora relevante - de times europeus, vejamos quantos brasileiros estão disputando a Champions League, iniciada esta semana:

Arsenal: Gilberto Silva, Denílson, Eduardo Silva**
Barcelona: Edmilson, Sylvinho, Deco**, Ronaldinho
Benfica: Edcarlos, Luisão, Léo
Besiktas: Ricardinho, Bobô
Celtic: nenhum
Chelsea: Alex e Belletti
CSKA Moscou: Ramón, Daniel Carvalho, Dudu, Eduardo, Vágner Love, Jô
Dynamo Kiev: Rodrigo, Kléber, Michael
Fenerbache: Roberto Carlos, Edu Dracena, Alex, Deivid
Internazionale: Júlio César, Maxwell, Maicon, César*, Adriano*
Lazio: nenhum
Liverpool: Fábio Aurélio, Lucas
Lyon: Cris, Anderson, Juninho Pernambucano, Fred
Milan: Dida, Cafu, Serginho, Emerson, Kaká, Ronaldo, Digão*, Pato*
Manchester United: Ânderson
Olympiacos: Júlio Cézar
Olympique Marselha: nenhum
Porto: Hélton, Leandro Lima, Adriano, Edgar, Lino
PSV: Cássio, Fágner, Jonathan, Alcides
Rangers: nenhum
Real Madrid: Pepe**, Marcelo, Robinho
Roma: Doni, Julio Sérgio, Cicinho, Juan, Taddei, Mancini
Rosenborg: nenhum
Schalke 04: Rafinha, Bordon, Kuranyi**
Sevilla: Daniel Alves, Renato, Luis Fabiano, Adriano
Shaktar Donetsk: Ilsinho, Jadson, Willian, Luiz Adriano, Brandão, Fernandinho
Slavia Praga: nenhum
Sporting: Liedson, Gladstone, Ronny, Celsinho, Anderson Polga
Steaua Bucareste: nenhum
Stuttgart: Gledson, Ewerthon, Cacau
Valencia: Edu
Werder Bremen: Naldo, Diego, Carlos Alberto
* jogadores não-inscritos no torneio
** jogadores naturalizados

Nada menos que 90 brasileiros (um ou outro pode ter escapado à minha consulta) disputam o mais importante torneio de clubes do mundo. Se cada time tiver por volta de 30 jogadores inscritos, dariam três times completos formados por jogadores brasileiros!

Antigamente isso não acontecia, o que nos leva à minha primeira óbvia conclusão: estamos tirando o emprego de jogadores europeus, ou relegando-os a sub-empregos em times de divisões inferiores. Quem diria que filhos legítimos de linhagens seculares, que outrora reinaram em sacros-impérios do Velho Continente, teriam de se sujeitar à humilhação de ver bárbaros indígenas tomando os lugares que lhes eram devidos! É preciso que autoridade competentes tomem providências enérgicas para coibir essa prática, caso contrário podemos presenciar uma crise social nunca antes vista em terras européias.

Agora, imaginem se todos esses craques, ao invés de se espalharem por países de toda a Europa, fossem reunidos em times de um só país. Sem dúvida esse felizardo Estado teria, se não o mais belo, um dos campeonatos mais atraentes do mundo. Isso seria impossível de acontecer, pois é legalmente impossível que todos os brasileiros fossem jogar em um só país. Isso só poderia acontecer em um lugar: no Brasil. Lugar esse que, por muito tempo, antes da "abertura dos portos", reunia todos esses jogadores. O que nos leva à minha segunda óbvia conclusão do dia: tivemos, por anos, o melhor campeonato de futebol do mundo.

Éramos felizes e não sabíamos.

Mas tudo bem. Os jogadores europeus terão o troco, amargando horas na fila de agências de emprego, juntando trocados para aliementar suas proles. Ou se juntando aos demais torcedores em frente à TV para acompanhar os jogos de futebol.

Alice no País das Maravilhas

O São Paulo quer empurrar com a barriga até todo mundo ficar sem opção para construir um novo estádio. Estamos trabalhando com a segunda alternativa. Tão logo a Fifa sinalize que não vai aceitar o Morumbi, nós já teremos tudo pronto para indicar a nova arena.
A frase acima foi dita porAntonio Roque Citadini, presidente do Conselho de Orientação do Corinthians (Cori) e um dos líderes da oposição corintiana a Alberto Dualib.

A reportagem realizada pelo site Máquina do Esporte ainda diz que "o estádio seria erguido pela construtora OAS e financiado por um grupo de investidores portugueses. O local ainda não está definido, mas um terreno próximo ao Sambódromo, na zona norte de São Paulo, está sendo estudado como opção."

O Corinthians está sem Presidente e com uma dívida beirando os R$ 100 milhões; o clube é apontado pela Polícia Federal como integrante de um esquema internacional de lavagem de dinheiro; o time briga contra o rebaixamento; os grupos de oposição, agora sem a presença de Dualib, se estapeiam para ficar com os cacos do que sobrou; e, mesmo com esse quadro, pessoas importantes ligadas aos clube como Citadini (que também é Presidente do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo) procuram parceiros para a construção de um estádio.

Incrível, mas verdadeiro.

Qualquer assunto que não fosse pertinente à caótica situação no Parque São Jorge deveria ser deixada de lado por seus responsáveis, até que o clube esteja minimamente organizado. Mas posturas como essa mostram que mesmo as pessoas idôneas do Corinthinas estão em descompasso com a realidade.

Juro que tento parar de falar mal do Corinthians para que não soe como uma questão pessoal. Daqui a pouco, vou ter de parar por pura dó.