terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

O meu problema no fim de semana

Fui ao clássico São Paulo x Santos, no domingo. Ou melhor, tentei ir, pois não consegui comprar ingresso. Todas as bilheterias estavam fechadas, inclusive a do Sócio Torcedor, de cujo programa sou associado. Tive que me contentar em assistir ao jogo no pay-per-view mesmo.

Revoltado, escrevi um email e encaminhei para diversos jornalistas, para que tivessem ciência e divulgassem o fato. Abaixo, o email:

"Meu nome é Fabio Pimentel, tenho 29 anos e sou são-paulino. Escrevo esse email para expressar a minha revolta com o ocorrido ontem no jogo São Paulo x Santos, e dar mais um exemplo de como é tratado o torcedor de futebol no Brasil.

Ontem fui ao Morumbi para ver o clássico contra o Santos, juntamente com dois amigos. Um deles já havia comprado ingresso no sábado, mas como eu e meu outro amigo somos Sócio Torcedores, não nos preocupamos em comprá-lo antecipadamente. Afinal, temos à disposição uma bilheteria exclusiva para tal.

Ao chegar à tal bilheteria, para nossa surpresa, fomos informados de que não havia mais ingressos à venda, para nenhum setor. Ao mostrar minha indignação – afinal, esse é um serviço pelo qual pago mais de R$ 200 anualmente – tive como resposta o seguinte comentário do “prestativo” funcionário do guichê: “Reclame com o São Paulo na 2ª feira.” Só isso. Não havia nenhum funcionário do clube ou do programa Sócio Torcedor presente, e tive que me conformar – se é que me conformei – em me dirigir à bilheteria normal, para comprar um ingresso pelo preço normal, sendo que como Sócio Torcedor tenho direito à meia-entrada.

Mas a bilheteria normal também estava fechada. Por algum motivo, mesmo com menos de 20 mil ingressos vendidos, não era mais possível comprar ingressos para o clássico.

E os cambistas faziam a festa, vendendo a R$ 40 um ingresso que custava R$ 20.

Não tivemos escolha a não ser vender o ingresso do meu amigo que já havia comprado (para um cambista) e ir para a casa do segundo amigo, que assina pay-per-view, e assistimos o jogo pela televisão.

Não sei porque não havia ingressos à venda, e nem quero saber.

A minha revolta é só uma: eu pago para ter um serviço diferenciado de compra de ingressos. Pago para poder me ver livre da corja de cambistas que invadiu o mundo do futebol. Pago para poder chegar no estádio no dia do jogo e comprar em paz meu ingresso. E hoje tive esse meu direito privado, e minha indignação respondida com um baixo “Reclame com o São Paulo na 2ª feira.” O Programa Sócio Torcedor nem ao menos enviou um comunicado avisando sobre o possível novo horário das bilheterias, uma total falta de respeito com seus torcedores – e, porque não, clientes.

O jogo não é 2ª feira, era domingo. Eu não vi o jogo, e nenhuma reclamação na 2ª feira vai mudar isso.

A conclusão resumida da história é: três fanáticos torcedores de um time de futebol vão ao estádio, não conseguem comprar ingressos em um jogo que teve casa vazia, são mal tratados e têm de voltar para casa e assistir o jogo pela televisão. Além de, sem opção, contribuírem para a “indústria” do cambismo.

É assim que o dito “mais organizado clube do Brasil” trata seus torcedores. O que se prova que no futebol brasileiro, até os melhores são ainda muito ruins."


Pois bem. Passados dois dias e depois de quase ser colocado ao vivo em uma rádio de São Paulo para falar sobre o assunto, recebi o seguinte email de Rogê David, do programa Sócio Torcedor:

"O Sombra, que é meu amigo particular, me encaminhou seu email.
Como responsável pelo Sócio torcedor, estou te respondendo.
Os ingressos em jogos clássicos não são vendidos no estádio após o meio dia do dia da partida por ordem da Policia Militar e não do São Paulo.
A divulgação foi feita por toda a mídia - jornais e rádios assim como em todos os sites esportivos, além é claro, do nosso site oficial.
Quanto ao funcionário que deu a resposta atravessada, estarei encaminhando a reclamação ao responsavel pelas bilheterias, pois isso é inadmissivel. Tomarei as medidas."


Com isso, a raiva deu lugar à satisfação. Erros são comuns na prestação de serviços, e a grande diferença está na resolução dos mesmos. Uma resposta educada e objetiva é a primeira parte; a segunda, a efetiva correção do problema.

Agora, só um ponto com relação à determinação da PM: se essa medida for efetiva para reduzir a violência nos estádios, acho ótimo. Mas a minha opinião é que a ordem de não vender ingressos após as 12:00 em dias de clássico não pode ser absoluta, mas ponderada jogo a jogo. Menos de 20 mil torcedores compareceram ao Morumbi, público pequeno para tal jogo, e se as bilheterias estivessem em funcionamento não só não teríamos problemas, mas o próprio público do jogo seria maior.

Aproveito meu humilde espaço para agradecer às pessoas que participaram deste episódio: Flávio Gomes, da ESPN Brasil; Sérgio Patrick, da Rádio Bandeirantes; Sombra, do Estádio 97; Rogê David, do Programa Sócio Torcedor; e meu amigo Dante, que além de estar comigo no domingo me proporcionou alguns segundos de notoriedade nas ondas do rádio paulistano.

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